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Quando o mundo treme

por Micaela Oliveira 2 min de leitura

Vista aérea de uma falha geológica cortando a terra

Todos os dias somos bombardeados por notícias ruins. Catástrofes se tornaram parte do nosso cotidiano e nossos ouvidos estão tão acostumados à tragédia que nos tornamos indiferentes a tudo que não nos afeta diretamente. Se não aconteceu na minha família ou com meus amigos, tapo meus ouvidos, fecho meus olhos e faço de conta que nunca aconteceu com ninguém. Porém, de tempo em tempo, acontece algum desastre que chama a atenção de todo mundo de uma forma um pouco mais intensa.

O terremoto no Nepal fez a terra tremer em todo canto. O peso do desespero e a impotência invadiram os corações naquele dia 28 e faltaram palavras para expressar a dor da alma por aqueles que perderam quase tudo. Nesse momento as coisas se tornam menos significantes e a vida ganha valor. O Amor bate à porta e espera até que alguém abra. E a gente abre. Doamos um pouco aqui, gastamos alguns minutos de oração ali, mobilizamos amigos e nos esforçamos para fazer tudo que o Amor nos ensina. Sentimos aquele orgulhozinho que nos dá a sensação catártica de “ter feito a minha parte”.

O Amor entra. Disponibilizamos o quarto de hóspedes para que Ele passe a noite. O tempo vai passando e o Amor continua a querer agir em favor do outro. E começa a falar mais alto, sugerir ações, nos tirar da nossa zona de conforto. Ele nos faz ver que uma doação não basta e que tragédia acontece todos os dias. Nos faz ver que é preciso dar a vida. E nós, damos as costas.

Nos ocupamos com aquilo que não nos custa muito. Nos convencemos de que o pouco que um dia fizemos já foi suficiente. E o Amor, sempre gentil, continua a falar, mas já não O ouvimos, tão alta é a voz da indiferença.

O Amor está à porta e Ele deseja, não apenas habitar, mas ser ouvido.

Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça.

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